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Nivelamento Pedagógico On Line
terça-feira, 14 de junho de 2016
segunda-feira, 13 de junho de 2016
Projeto de Mãos Dadas com as escolas
Nesta segunda-feira (13/6), a gestão da escola e o Comité do Projeto de mãos dadas com as escolas da See-Acre se reuniram para traçar ações práticas em nossas Escola. Aguardem as Novidades em breve.
A coordenação
domingo, 12 de junho de 2016
sexta-feira, 10 de junho de 2016
Estudando Matemática com Videos
Galera da Edilson, vamos estudar Matemática por Vídeo. É fácil e prático.
A Coordenação
A ladeira
Tarde que não findava... Lá estava minha mãe
pilando o arroz no terreiro, mais precisamente na frente da casa. Estava na
posição que ficava de lado para a ladeira, que por sinal, marcou a vida de
todos daquele seringal: o Seringal Esperança, situado em Xapuri, no Acre. O
Esperança era o único lugar que minhas três irmãs e eu conhecíamos. Não tinha
mundo mais belo do que aquele. A mata rodeava o terreiro. Até se ouvia a onça
avisar que estava perto. No silêncio da noite, amedrontava os bichos, a gente.
A casa coberta de palha com o jirau pendurado nas paredes de ‘paxiuba’, as
galinhas ao redor completavam a paisagem fantástica do meu lugar.
Amanhecia, entardecia, anoitecia e a ladeira
continuava ali. Que ladeira aquela! Tão inclinada! E a castanheira? A árvore
imponente da Amazônia, situada em seu topo, completava sua beleza. Lembro que
quando os cachorros latiam, todos olhavam para a ladeira. Era sinal de visita
chegando. Sempre que podia,ficava sentada na varanda admirando-a, na
expectativa de alguém chegar. Era apaixonada pela ladeira. “Ai, que saudades de
subir e descer a ladeira!”Mas, voltando àquela tarde que não teve fim, recordo
que minha mãe soltou bruscamente o pilão, fixou o olhar rumo à ladeira. Eu, que
estava na varanda como de costume, gritei que alguém descia.
Uma senhora vistosa e um rapaz com feição diferente da nossa raça desciam
silenciosamente. Minha mãe correu. Era uma pressa que nunca a vi ter. Fiquei intrigada. Muitas pessoas já tinham
descido e subido aquela ladeira enorme e minha mãe continuava tranquila. No
entanto, naquela tarde foi diferente. Ela gritava: mamãe! Mamãe! Minha mãe
parecia ser uma menina pedindo proteção. O abraço não terminava. As lágrimas
não cessavam.
A tarde continuava e o abraço em frente à ladeira
também. Minhas irmãs e eu não entendíamos nada. A senhora também nos abraçou,
todavia não sabíamos o motivo de tal ação. Só dizia que era nossa avó. Não
sabíamos nada a respeito. Ainda continuava sendo uma estranha.
A tarde não terminava. Era conversa que não
tinha fim. Escutei palavras que nunca ouvira: avó, avô, tia, tio, primas,
primos... Eram estranhos para mim, já que só existiam meus pais, minhas irmãs e
alguns conhecidos da colocação.
Uma das falas de minha avó, no diálogo com
meus pais chamou-me a atenção. “Ah, lá vocês terão vida melhor.”Insistia “
Minhas netas vão estudar!”
No caminho do igarapé.Aliás resplandecente ,
suave aos pés por ser coberto de folhas marrons, verdes, amarelas – divertidas-, minha então avó me acompanhava. Fazia-me
perguntas sobre o meu mundo. Eu, balançando as panelas, suadas da frescura de
água natural, respondia cantarolando.
Como não gostar desse lugar de alegria, de pureza da floresta, encantos e
soberania?
Na manhã seguinte aquela tarde continuava...
Corre para lá, corre para cá!. Eu só sabia que devia obedecer. Ajudei minha mãe
a arrumar as malas. Quando dei por mim, estávamos subindo a ladeira. Lá do topo
avistei o lugar que tanto amava. Tão sublime! Mal sabia que aquele seria meu
último olhar a ele. Apenas fui. A ladeira não podia ir. Lá mesmo permaneceu. A
viagem seria longa. Parti sem saber para onde ia. Parti sem saber exatamente o
que sentia. Fui com o olhar a gotejar: lagrimava como um rio cheio.
Aluna:Juliana Mariano (8º C) 2014.
Professora: Francisca Freitas S
Pinheiro. / Escola Edison Façanha. 2014(
Entrevista feita com Francisca Freitas – 30 anos)
Folhas que se movem
Era uma manhã linda. As
flores do campo exalavam perfumes. Ainda sinto o cheiro doce das rosas. O vento
forte vinha de várias direções e os passarinhos estavam mais animados que as
outras manhãs que já vira ali. Estava certa: O lugar em que morava era mesmo um
sonho. Situava-se no interior de Rio Branco, no Acre.
Naquela manhã resolvi fazer o que
mais gostava: pescar. Isso mesmo. Pescar não era somente para os meninos.
Naquela época, na zona rural não tinha praticamente divisão de serviços ou de
brincadeiras. A mulher fazia trabalhos de “macho”. O exemplo disso era minha mãe:
mulher guerreira. Tinha uma “força de Sansão”. Não sei como conseguia ser mãe,
esposa, cozinheira, ajudar na roça, no corte de seringa e até mesmo na caça.
Ela sempre foi minha admiração maior.
Não contei conversa, chamei
meus companheiros de sempre para pescaria: um dos meus irmãos e o colega mais
próximo de nossa “colocação”. Era assim que nomeavam as colônias, ou
fazendinhas. Seguimos rumo ao riozinho do local e claro, aproveitávamos a ida
para subirmos nas árvores e pegarmos algumas frutas. Ficávamos embaixo delas e
comíamos ali mesmo, saboreando o gosto de tudo aquilo tão natural. Nada se
compara a esses momentos que vivi.
Quando chegamos à beira do
riozinho cada um escolheu um lugar mais conveniente para realizar a pescada.
Queria pegar o maior peixe possível, porém, nesse rio o que mais tinha era piaba,
o menor peixe. O maior era a traíra, que para mim seria difícil segurar o anzol
, caso o pegasse. E nessa escolha,
procurei o cantinho mais distante. Desejava que fosse a pescada dos meus
sonhos. Pois toda vez meu irmão e meu colega pegavam mais peixes que eu. Não
queria ficar para trás dessa vez. Não. Chega! Essa manhã é minha.
Eu, pequenina, menina de 08
anos, franzina e indefesa, meio que assustada com os “zumbidos” estranhos no
meio da mata, continuava distante. De repente, ouvi “chiados” e percebi que
viam das folhas secas caídas à beira do riozinho. Não só chiavam como também se
moviam. Mesmo assustada fiquei curiosa. O que seria aquilo? O vento quando leva
as folhas secas, ele o faz com força, que elas chegam a voar, e naquela manhã
acontecia o inverso, elas iam devagar, de mansinho e pareciam cada vez mais próximas de mim. Imediatamente
levantei-me do lugar e fiquei observando, no entanto, as folhas começaram a
“andar” com maior velocidade. Gritei para meu irmão imediatamente.
Fiquei ali, perplexa. Não sabia se
corria ou se continuava parada. O pior é que eu não via nada, apenas as folhas
se movendo. Devia ser o medo que me impedia de ver algo. Nesse instante, meu
irmão chegou juntamente com nosso colega. Lembro que só consegui dizer que as
folhas se mexiam e nada mais. Saí correndo para casa, gritando, assustada.
Deixei o caniço e o anzol. Deixei minha pescaria. Meu desejo de pegar o maior
peixe não se realizou.
Quando meu irmão e nosso
colega chegaram em casa, disseram que resolveram a situação. Mataram-na a
pauladas. Forma que nossa mãe nos ensinou. Ela dizia que quando nos
deparássemos com tal situação, pegássemos um galho maior, que estivesse próximo
para matar à distância. Assim, evitaria dela dar o bote que é a sua principal
defesa. Depois disso, minha mãe não permitiu que eu fosse pescar. Fiquei só na
vontade e com medo das folhas secas que o vento derrubava, quando forte estava.
O problema não era exatamente as folhas. Elas enfeitavam o caminho no meio da
floresta e a beira do riozinho, mas infelizmente, nelas se escondiam os bichos
venenosos.
Aluna: Andressa RogérioDa
Silva. (8º ano E)
Professora: Francisca Freitas Da Silva Pinheiro. /Escola: E. F. Edilson Façanha -Rio Branco – AC. 2014
(Texto baseado na entrevista feita com Rute Lima de Freitas, 43 anos.)
Professora: Francisca Freitas Da Silva Pinheiro. /Escola: E. F. Edilson Façanha -Rio Branco – AC. 2014
(Texto baseado na entrevista feita com Rute Lima de Freitas, 43 anos.)
quinta-feira, 9 de junho de 2016
Festa junina em 1981
Como
de costume, antes do anoitecer já começávamos a juntar os gravetos.
Precisávamos fazer nossa fogueira. Era noite de Santo Antônio. O Santo católico
“casamenteiro”. Naquele mês de junho de1981, no município de Tarauacá, Acre,
todos os Santos eram homenageados. Sem contar que as pessoas acreditavam que
eles poderiam ajudá-los em suas dificuldades do cotidiano. O santo
“casamenteiro” era famoso, pois os jovens ficavam ansiosos, na expectativa de
encontrarem sua cara metade, nesse dia santíssimo.
Nesse
tempo o município era praticamente rural. Sensacional! A maior parte das
pessoas residia no seringal. E as poucas que ficavam no centro demonstravam
atitudes e costumes típicos do meio rural. As crenças, o devoto aos santos, a
alimentação, as rezas de Ave Maria e Pai Nosso que eram repetidas por várias
vezes numa missa, em casa. Todos tinham na parede a imagem da santa. A
diferença é que nos seringais não havia igreja, mas as pessoas se reuniam na
maior casa do local para rezar.
Meus
amiguinhos e eu juntávamos os gravetos o mais rápido possível. Tínhamos pressa
para apreciarmos a bela fogueira e para competirmos. O grupo que conseguisse
fazer a maior fogueira, mais acesa e estrondosa, ganhava elogios, reconhecimento
dos pais e dos vizinhos. Era uma satisfação sem tamanho. Lembro que ficávamos
até meia noite ao redor do fogo que parecia querer nos falar por meio de
estalos. Conversávamos, brincávamos. Quando o fogo estava brando, iniciavam-se
os pulos. Todas as crianças passavam pela fogueira. Era a nossa dança. Nossa
festa no mês de junho.
Como
toda menina sapeca, no desejo de ganhar a competição da mais bela fogueira,
lancei nela um frasco de um produto químico, muito utilizado na época, nomeado
por Detefon. Ele servia como inseticida, até contra pragas na agricultura. Sem
noção do que poderia acontecer, cito o risco, porque acreditava que só iria
aumentar o fogo, após o lançamento vi que a consequência foi maior. Houve uma
explosão na fogueira. Eram pedaços de gravetos para todos os lados. As crianças
corriam e gritavam. Mas, foi apenas um susto repentino. Retornaram e a
travessura acabou sendo o foco de alegria naquela noite linda.
Um
dos meus encantos por aquela noite de santo era a comida típica: mandioca, banana
e milho eram assados na própria fogueira. Não tínhamos que irmos de barraca em
barraca para comprarmos comida. Nem tinha barraca. Providenciávamos o nosso
alimento conjuntamente. As pessoas se uniam e contribuíam com o que podiam. No
final, todos ficavam satisfeitos e até sobrava para o dia seguinte. Porém, o
meu encantamento maior era a alegria e a paz que reinavam a nossa festa. Elas
purificavam o espírito festivo de todos.
O
mais curioso dessas noites de junho era que enquanto as crianças saltavam a
fogueira os adultos se apadrinhavam. Era o batismo na fogueira. Cada um
escolhia o seu padrinho e a sua madrinha e estendiam os braços, seguravam-se
pelas mãos e rezavam. Eu não entendia a reza, no entanto, eles se benziam e
demonstravam-se respeitosos uns com os outros por toda a vida. Era um pacto
abençoado que perdurava.
Esse
era nosso arraial. Não tinha competição de dança, a música ficava por conta da
viola e das crianças que faziam questão de cantar suas cantigas ao redor da
fogueira. Nossa bebida era o suco natural. Tudo era nos moldes do catolicismo.
Havia um respeito religioso pleno em cada atitude demonstrada durante a
festividade. Assim, acontecia nossa festa junina. Simples e abençoada,
diferente da contemporaneidade, na qual os destaques são outros. Não há mais
fogueira, muito menos batismo de fogueira. O que ocorre é uma publicidade
marcante, na qual reina a competição de barracas, quem vende mais, que grupo
dança melhor: o fato mais famoso e atraente das festas juninas de hoje, éa
mistura de bingos, sorteios e até
consulta às cartas. Constata-se uma multiplicidade numa festa que antes era tão
mais singela e totalmente católica, voltada extremamente aos santos. Mesmo com
todas as mudanças, ainda prefiro as que marcaram minha infância. As que foram
festejadas sob a benção do padre e enfeitadas com a fogueira.
Aluna: Katriele. (8º
ano C)
Professora: Francisca Freitas Da Silva Pinheiro.
Escola: E. F. Edilson Façanha -Rio Branco – AC. 2014
(Texto baseado na entrevista feita com Dulcilene Souza Aguiar Vieira, 43 anos.)
Professora: Francisca Freitas Da Silva Pinheiro.
Escola: E. F. Edilson Façanha -Rio Branco – AC. 2014
(Texto baseado na entrevista feita com Dulcilene Souza Aguiar Vieira, 43 anos.)
quarta-feira, 8 de junho de 2016
Memórias
De
frente para o rio
No
meu tempo era assim: as brincadeiras e os brinquedos eram inventados pela
própria criança. Eu fazia carrinhos com roda de sandália e lata de óleo, trator
com cabo de vassoura, lata de conserva e de goiabada. A de conserva servia como
pá e a de goiabada como volante. Também tinha competição com aro de bicicleta.
Meus irmãos e eu ficávamos livremente nas ruas empurrando o aro com uma vareta.
Saudáveis tempos, em que todos brincavam sem receio de um carro desenfreado ou
de algum “lobo mal” interromper a diversão. Era tudo mais tranquilo.
Mas,
o que me enche a memória de alegria é lembrar o lugar onde esses momentos
aconteceram. Morava numa casinha situada de frente para o Rio Acre. Naquela
época sua água era mais fresca, por ser rodeado de árvores frondosas, pois o
homem ainda não tivera lançado tantos dejetos. Essa casinha situava-se na Rua
Beira Rio, no Bairro Cidade Nova, em Rio Branco, no Acre, que ainda aparentava
ser um bairro dentro da floresta, de tanto verde que o cercava. Lembro-me como
se fosse hoje: o lar sendo construído de madeira nova, retirada ainda verdinha
com aquele aroma puro e natural que só a floresta tem. Acredito que esse era o
motivo de suas paredes serem resistentes. Cansei de bater os pés nelas quando
fazia o embalo de “vai e vem” na rede. Empurrava com força e não estremecia.
Na
casa residiam doze pessoas: meu velho pai, homem trabalhador, minha mãe, a
rainha sábia e os dez filhos (cinco meninos e cinco meninas). A hora da refeição era a mais divertida para
nós. A comida era servida em bacia. Eram duas bacias, divididas em dois grupos
de três crianças e um de quatro. Isso dava uma confusão daquelas, com direito a
colheradas na testa e mordidas no braço. Nesse momento éramos competidores. O
mais esperto levava vantagem. Tal atitude acontecia porque por maior que fosse
a porção de arroz, feijão e ovos com carne seca fritos, se tornava pequena pela quantidade de
crianças. No entanto, minha mãe resolvia a situação num piscar de olhos. Tinha
em mãos o cinto do papai. Apartava os rebeldes para a divisão da comida ser
justa. E tudo acabava bem.
Todas
as manhãs, levantávamos cedinho. Antes de irmos tomar aquele café preto que só
minha mãe sabia fazer, tínhamos que arrumar nossas dormidas. Dobrávamos nossas
velhas redes todos os dias. Somente nossos pais tinham cama, sendo que, uma
cama trabalhada em madeira custava os “olhos da cara”. As horas da tarde eram as mais gostosas para
nós. Íamos tomar banho no rio. Eram pulos, gritos, “caldeiradas”. A alegria
irradiava sem limites naquelas águas.
As
noites me encantavam. Como todo menino sonhador de heróis, ficava sentado na
porta, que dava de frente para o rio, com um bonequinho de madeira. Era o meu
guerreiro. Fantasiava-o em várias batalhas, nas quais o monstro era a sombra de
uma das minhas mãos. A lua iluminava a
batalha e jorrava seu reflexo no rio, deixando-o ainda mais belo. Energia vinda
diretamente do céu, pois não existia eletricidade para os pobres. A casa era
iluminada por velas ou lamparinas. Somente os ricos ocupavam suas noites
assistindo televisão. Era o recurso tecnológico mais atraente da época. Nem
celular, vídeo game, muito menos computador existia para nós. Mesmo assim,
éramos felizes e saudáveis porque ocupávamos nosso tempo gastando energia e não
acumulando gordura com brinquedos que a criança nem precisa se mexer.
Se
me pedirem para dar detalhes daquele lugar, atualmente, apresento ruas,
avenidas lotadas de carros, ônibus, motos, caracterizando um trânsito estafante
com “fonfons”, palavrões e insultos constantes, num sol escaldante, logo pela
manhã e pessoas apressadas, correndo contra o tempo para chegarem ao
trabalho. As paredes de tábua da casinha
foram trocadas pela areia e cimento. O rio ficou ainda mais barrento com muito
lixo boiando em suas águas não mais frescas, as árvores que o rodeavam foram substituídas
por inúmeras casinhas. Tudo mudou. Porém, podem mudar tudo, só o que não podem
mudar é o que tenho comigo: as lembranças. Essas estão guardadas e com elas
posso voltar ao passado à hora que desejar e vê-lo e senti-lo no presente.
TEXTO
FINALISTA- MÉMORIA LITERÁRIA – MEDALHA DE PRATA- ESTADUAL- OLIMPÍADA DE LÍNGUA
PORTUGUESA 2014.
Aluno: Rodrigo Verus da
Silva. (8º ano F)
Professora: Francisca Freitas Da Silva Pinheiro.
Escola: E. F. Edilson Façanha -Rio Branco – AC. Entrevistado: Rubemilson Batista da Silva, 47 anos.
Professora: Francisca Freitas Da Silva Pinheiro.
Escola: E. F. Edilson Façanha -Rio Branco – AC. Entrevistado: Rubemilson Batista da Silva, 47 anos.
segunda-feira, 6 de junho de 2016
Proposta Inovadora de Ensino -EAD
Programa de nivelamento educacional em Matemática e Língua Portuguesa via Reforço em EAD:
A Coordenação
Encontro vertical e horizontal by See-Ac
Planejamento horizontal e planejamento vertical:
duas dimensões que fazem diferença quando o foco é garantir a
aprendizagem dos alunos.
Rosana
Dutoit
Walter
Takemoto
Muitos autores (Shavelson & Stern, 1981; Pérez Gómez, 1983;
Del Carmen, 1993) coincidem ao descreverem o planejamento como uma parte prévia
ao ensino caracterizada pela preparação daquilo que será posto em prática em
sala de aula.
Sabemos que é preciso estabelecer uma programação minuciosa e
detalhada do que será trabalhado ao longo do ano com os alunos, para que as
situações de ensino tenham foco e o professor saiba por onde está navegando
para que chegue ao destino esperado por todos os envolvidos no processo de
ensinar e aprender: a aprendizagem de todos os alunos. Autoras como Bassedas, Huguet
e Solé afirmam que planejar em qualquer etapa educativa, permite tornar
consciente a intencionalidade que preside a intervenção, ou seja: permite
dispor de critérios para regular todo o processo de ensino e aprendizagem.
A ideia de planejamento que é defendida nesse texto e nos
documentos curriculares da SEE é aquela que supõe, fundamentalmente, a reflexão
sobre o que se pretende, sobre como se faz e como se avalia. Uma reflexão que
permita fundamentar as decisões que são tomadas e que sejam observadas pela
coerência e continuidade. Assim concebido, o planejamento é uma ferramenta na
mão do professor, uma ferramenta que lhe permitirá fazer uma previsão sobre o
que acontecerá durante a aula; uma ferramenta que permite fazer variações,
incorporações, modificações que no momento da prática se mostram necessárias, já
que o planejamento deve permitir flexibilidades que autorizem o professor tomar
rumos diferentes ao que foi previamente planejado, desde que esteja atento e
sensível ao que acontece com seus alunos e consigo mesmo durante o processo de
ensino e aprendizagem. Sendo assim, o planejamento não pode ser sinônimo de uma
prática rotineira, monótona, especificamente técnica e rígida.
Bassedas junto com suas colaboradoras afirmam que o planejamento
é uma ajuda ao pensamento estratégico do professor, sendo um recurso
inteligente por meio do qual ele pode
elaborar suas aulas, não fechando nenhum caminho de acesso.
Del Carmen (1993) resume de uma maneira breve os benefícios
trazidos pelo planejamento:
×
Permite tomar decisões refletidas e fundamentadas.
×
Ajuda esclarecer o sentido que queremos potencializar dentro do
que ensinamos e do que aprendemos.
×
Permite levar em consideração as capacidades e os conhecimentos
prévios dos alunos e adaptar a isso a programação de atividades.
×
Esclarece as atividades de ensino que queremos realizar.
×
Permite prever as possíveis dificuldades de cada aluno e
orientá-lo com a ajuda necessária.
×
Prepara e prevê os recursos necessários.
×
Conduz a organização do tempo e do espaço.
×
Ajuda a concretizar o tipo de observação que é necessário para
avaliar e prever os momentos de fazê-lo.
×
A autora citada destaca ainda que se admitirmos que as
finalidades da educação – favorecer o desenvolvimento do aluno em todas as suas
capacidades – alcançam-se mediante o trabalho que se realiza em torno dos
conteúdos que fazem parte do currículo, é inegável que a análise e a tomada de
decisões sobre o planejamento constituem um elemento indispensável para
assegurar a coerência entre o que se pretende e o que se sucede na sala de
aula.
Podemos ampliar o que destaca Del Carmen, quando entendemos que
também é preciso garantir a coerência entre o que se pretende o e que se sucede
na escola em todos os segmentos da escolaridade.
Coerência e continuidade são as palavras chave para
justificar a necessidade de considerar duas dimensões do planejamento: a
verticalidade e a horizontalidade. Ambas são imprescindíveis para
que a coerência e continuidade no processo de ensino e de aprendizagem sejam
asseguradas, pois propõem que os professores possam planejar, avaliar e ajustar
a prática pedagógica realizada tanto no mesmo ano/série de escolaridade como
entre os diferentes anos/séries do Ensino Fundamental I.
Quando os professores de um mesmo ano/série trabalham juntos na
definição das capacidades, dos conteúdos e das diferentes modalidades
organizativas (atividades permanentes, atividades sequenciadas, projetos
didáticos, atividades de sistematização), o planejamento está sendo elaborado
horizontalmente.
Se os professores de anos diferentes estão trabalhando juntos na
análise dos resultados da aprendizagem dos alunos no ano anterior para que a
equipe identifique a verdadeira situação dos alunos e também se os
procedimentos e a didática utilizados em sala de aula foram adequados e, a
partir daí, comparar as capacidades previstas para cada ano, os conteúdos, os
gêneros textuais com o objetivo de definir o que precisa ser retomado tendo
como referência o nível de aprendizagem dos alunos de um ano para outro, o
planejamento está sendo elaborado verticalmente.
No planejamento vertical ainda propõe-se a revisão dos
planejamentos do ano anterior considerando as ações que podem ser planejadas
para atender os alunos que não conseguiram atingir as expectativas de
aprendizagem previstas para o ano e quais a escola proporá para eles alcacem
essas expectativas, com o objetivo de continuar avançando em suas aprendizagens
(apoio pedagógico).
Os aspectos relacionados a seguir devem ser necessariamente
observados no planejamento horizontal e vertical, embora a forma de lidar com
cada um deles efetivamente, dependerá das características que marcam as
especificidades dos planejamentos vertical e horizontal.
₋
Identificar
as necessidades de aprendizagem dos alunos;
₋
Identificar
e relacionar - a partir do diagnóstico dos primeiros dias de aula - quantos e
quais alunos não atingiram as expectativas de aprendizagem em cada ano.
₋
Identificar
os conteúdos que os alunos apresentam dificuldades e a forma como serão
abordados didaticamente;
₋
Fazer
um levantamento de boas situações de aprendizagem que atendam as necessidades
dos alunos que apresentam dificuldades.
₋
Otimizar
o uso dos Cadernos de Orientações Curriculares da SEE;
₋
Prever
a elaboração e/ou adoção de instrumentos de acompanhamento da progressão da
aprendizagem dos alunos (ex: portfólio, cadernos de registro...);
₋
Identificar
e dar continuidade aos projetos didáticos que deram certo no ano anterior
adequando-os as características e nível de informação e conhecimento dos grupos
de alunos de 2013;
₋
Priorizar
o apoio pedagógico desde o início do ano de forma contínua e intensiva;
₋
Incluir
projetos de leitura que envolvam toda a escola tendo em vista a melhoria das
capacidades leitora e escritora dos alunos.
₋
Garantir
junto a equipe gestora da escola situações para o planejamento vertical e
horizontal ao longo do ano, para que os professores possam elaborar, observar,
analisar e discutir situações didáticas que proporcionam o desenvolvimento das
aprendizagens em todas as disciplinas do currículo, além de avaliar e
acompanhar o planejamento definido pelo grupo/professor para verificar se há
necessidade de replanejar.
₋
Pensar
em medidas para assegurar a assiduidade dos alunos, como o controle da
frequência.
O cruzamento do planejamento horizontal e vertical revela um
ponto crucial para a escola: o quadro atual em que se encontram os alunos e as
ações educativas que serão desenvolvidas para que a escola alcance a meta que é
ensinar e fazer com que os alunos aprendam.
É essencial que a escola tenha ciência de suas possibilidades,
pontos fortes e principalmente suas fragilidades. O planejamento vertical e
horizontal quando elaborados com compromisso e seriedade ajudam a indicar onde
estão os problemas de ensino e aprendizagem e onde há potencial de sucesso. Esse
contexto gera o plano de trabalho pedagógico mais ajustado às necessidades de
aprendizagem dos alunos, além de favorecer a potencialização do tempo que as
crianças permanecem na escola a favor de melhores níveis de aprendizagem ano a
ano.
Além destes aspectos, os professores passam a vivenciar uma
experiência coletiva que permite o reconhecimento do ato de ensinar como uma
responsabilidade compartilhada, que cabe a todos assumirem. E esse é também um
fator determinante para a qualidade da escola: o trabalho coletivo,
compartilhado, a troca de experiência, a disseminação das boas práticas, são
fatores essenciais para a qualidade do ensino e da aprendizagem e também para
que a escola possa efetivamente se transformar em uma organização aprendente.
Por outro lado, essas duas modalidades de planejamento ao se
consolidarem como espaço de trabalho, estudo e reflexão entre os professores
dos mesmos anos e de anos diferentes, adquire a condição de um espaço formativo
fundamental, seja para a formação especifica em uma determinada área ou de
conhecimento pedagógico geral, contribuindo para a qualidade da aprendizagem de
todos os alunos.
Referências
ALARCÃO, Isabel. Escola reflexiva e nova racionalidade. Porto Alegre: Artmed, 2001.
BASSEDAS, Eulália; HUGUET, Teresa; SOLÉ,
Isabel. Aprender e Ensinar na Educação
Infantil. Porto Alegre: Artmed, 1999.
SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO DO ACRE.
Referências
Curriculares – 1ª a 4ª série do Ensino Fundamental. Rio Branco, 1999.
SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO DO ACRE
e SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE RIO BRANCO. Caderno 1 – Orientações Curriculares
para o Ciclo Inicial. Rio Branco-AC, 2009.
SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO DO ACRE
e SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE RIO BRANCO. Caderno 2 – Para organizar o
trabalho pedagógico no Ensino Fundamental. Rio Branco-AC, 2009.
Encontro Pedagógico Horizontal
No dia 04 de junho de 2016, a escola Edílson Façanha se reuniu para analisar os dados do rendimento escolar do primeiro bimestre e discutir a relação professor-aluno a luz de alguns pressupostos sobre o tema.
Qual a importância da relação professor-aluno no
processo ensino-aprendizagem?
Fayson Rodrigo Merege Barbosa*
Introdução
Muitos são os questionamentos e
discussões a respeito do papel da escola na educação, porém, é preciso vê-la
além de somente transmitir conhecimentos aos alunos.
Sendo a escola conhecida
como “instituição do saber”, a mesma exerce uma enorme importância por toda a
sociedade.
Por tamanha importância que a mesma se faz jus, necessita-se olhar
além do que os olhos podem ver e ensinar os alunos a pensarem sobre o mundo, a
sociedade na qual estão inseridos e o mundo das diferenças/descriminações para
dar subsídios aos alunos ao enfrentem essas adversidades da vida.
A escola necessita ser pensada
como “preparação” para a vida, na função de preparar cidadãos do mundo. De
acordo com Pérez Gómez (2000), a escola é um ambiente de aprendizagem, onde há
grande pluralidade cultural, mas que direciona a construção de significados
compartilhados entre o aluno e o professor.
A construção desses significados
compartilhados enfatiza uma necessidade de mudança na escola, por meio da
reflexão.
A mesma necessita da individualidade e da coletividade ao mesmo
tempo, a qual envolve diversos aspectos da escola, ou seja: as relações entre o
ensinar e aprender com diversas trocas de informações, a interação de
indivíduos que participam da cultura escolar, além dos processos curriculares,
pedagógicos e administrativos haverá o compartilhamento de informações e
interação da cultura escolar.
Deve-se pensar a escola como um
ambiente atrativo para professores, alunos e os profissionais nela atuantes,
para que estes possam se sentir convidados a participar desta atmosfera de
conhecimento que dia após dia é construída por professores e alunos,
aproveitando o conhecimento prévio que é trazido por todos.
É preciso que os
docentes reinventem e reencantem a educação, tendo como foco uma visão
educacional, usufruindo do conhecimento já construído e produzindo novas
experiências no processo de ensino-aprendizagem dos educandos (ASSMANN, 2007).
As relações entre
professor/aluno/conteúdo não são estáticas, mas dinâmicas, pois se trata da
atividade de ensino como um processo coordenado de ações docentes. Freire
(1987) em seu livro Pedagogia do Oprimido deixa-nos entender que a relação
professor (opressor) e aluno (oprimido) ou vice-versa têm a finalidade de que a
relação professor-aluno nesse processo de ensino-aprendizagem gira em torno da
concepção da educação, tendo uma perspectiva de que quando todos se unirem na
essência da educação como prática de liberdade, ambos abrirão novos horizontes
culturais de acordo com a realidade e imaginação de todos os indivíduos,
seguido das diferentes culturas de cada um.
Porém um dos maiores problemas
relacionados ao fracasso escolar pode estar ligado ao preconceito. Com certa
freqüência os professores procuram explicar a razão do não aprender do aluno às
deficiências orgânicas, psicológicas, culturais em detrimento de um estudo e
diagnostico que pudessem esclarecer a situação. Em outras palavras já fazem de
antemão o diagnostico e rotulam esse aluno. Acredita-se que a mescla de teorias
que se complementem teria um caráter mais proveitoso para professores e alunos
do que a tendência de seguir um “método”. Nada substitui o fator humano, a
afetividade, a interação e o olhar atento às diferenças reações.
1.
Escola: Organização reflexiva ou reprodutores de
conhecimento?
O processo ensino-aprendizagem
compreende ações conjuntas do professor e do aluno, onde estarão estimulados a
assimilar, consciente e ativamente os conteúdos/métodos e aplicá-los de forma
independente e criativa nas várias situações escolares e na vida prática. O ato
de ensinar e aprender não se pauta em somente o professor passar a matéria e o
aluno automaticamente reproduzir mecanicamente o que “absorveu”.
É nessa perspectiva que a
compreensão sobre o conhecimento escolar pode ser analisada sob a ótica de no
mínimo quatro visões: como produto acabado e formal (visão tradicional); como
produto acabado e formal de caráter técnico (visão tecnológica); como produto
aberto, gerado em um processo espontâneo (visão espontaneísta e ativista) e;
como um produto aberto, gerado por um processo construtivo e orientado (visão
investigativa) (BOLZAN, 2002, p18).
Em um contexto onde há o
estímulo às atividades diversificadas, à curiosidade, a iniciativa e o
desenvolvimento de capacidades, resultarão em um ambiente onde, tanto professor
como seus alunos, ambos estarão cientes de suas responsabilidades. Desse modo,
a escola deve conceber-se como um local, um tempo e um contexto, visando à
formação que vai além da representação física, e tornando-se uma concepção de
formação com relacionamento interpessoal. A escola pela qual se busca lutar
hoje se deve ter como pressuposto principal o desenvolvimento cultural e
científico do cidadão, preparando as crianças, adolescentes e jovens para a
vida, para o trabalho e para a cidadania, através de uma educação geral,
intelectual e profissional.
Para Lima (2006) compreender a
escola como organização educativa exige a consideração da sua historicidade
enquanto unidade social artificialmente construída, das suas especificidades,
bem como do seu processo de institucionalização ao longo do tempo. Seguindo
essa linha de pensamento, Alarcão (2001) aponta uma mudança paradigmática, uma
visão e pensamento diferente da escola, saindo de uma concepção tradicional
para uma concepção reflexiva, onde será capaz de gerar conhecimento sobre si
próprio, fazendo significado a sua própria existência.
O ambiente escolar, assim, pode
contribuir para suscitar o amor pela escola, o amor e a dedicação aos estudos,
com reflexos sensíveis no aproveitamento escolar dos alunos. Para Durkheim
(1978, p.49) “A escola não pode ser propriedade de um partido; e o mestre faltará
em seus deveres quando empregue a autoridade de que dispõe para atrair seus
alunos à rotina de seus preconceitos pessoais, por mais justificados que lhes
pareçam”.
Se a aprendizagem em sala de
aula for uma experiência de sucesso, o aluno constrói uma representação de si
mesmo como alguém capaz. Do contrário, se for uma experiência de fracasso, o
ato de aprender tenderá a se transformar em uma “ameaça”. O aluno ao se
considerar fracassado, buscará os culpados pelo seu conceito negativo e culpará
o professor pela sua metodologia de ensino, e pelos conhecimentos transmitidos,
os quais irão julgá-los como sendo desnecessários e sem validade para sua vida
estudantil como pessoal.
Freire (1980, p.119) aponta de
forma ampla o que se espera da escola:
Somente uma outra maneira de
agir e de pensar pode levar-nos a viver uma outra educação que não seja mais o
monopólio da instituição escolar e de seus professores, mas sim uma atividade
permanente, assumida por todos os membros de cada comunidade e associada de
todas as dimensões da vida cotidiana de seus membros.
Portanto,
o processo educativo tem que ocorrer como um fenômeno social e cultural, onde a
reflexão sobre o saber e suas relações é continuamente redimensionada em uma
“negociação” e “recriação” dos significados. Tendo o diálogo entre professor e
aluno como elemento norteador para a construção do conhecimento em uma dimensão
reflexiva.
Em vista disso, a escola como
contexto de construção e apropriação de conhecimentos deve compreender que,
professor e aluno, participam desse processo essencialmente pela interação e a
mediação entre si. Contudo, a escola reflexiva vai além, no momento em que vê a
escola como uma organização que continuadamente pensa em si própria, “na sua
missão social e na sua organização, e se confronta com o desenrolar da sua
atividade em um processo heurístico simultaneamente avaliativo e formativo”,
pois “só a escola que se interroga sobre si própria se transformará em uma
instituição autônoma e responsável, autonomizante e educadora” (ALARCÃO, 2001,
p.25).
A escola não cumprindo seu papel
como organização reflexiva cairá no fracasso escolar. Para tanto entre as
diversas razões possíveis, podemos citar: dificuldades de aprendizagem; causas
orgânicas; problemas emocionais; teoria da carência cultural e distância
cultural entre a escola pública e a população que ela atende; formação dos
professores; a ineficácia dos métodos; preconceito e segregação (COLLARES,
1996; POLITY, 2002).
2.
Aprender e ensinar reflexivamente
O ensino é um meio fundamental
do progresso intelectual dos alunos e uma combinação adequada entre a condução
do processo de ensino pelo professor e a assimilação ativa, como atividade
autônoma e independente, por meio do aluno. Pode-se sintetizar-se dizendo que a
relação entre ensino e a aprendizagem não é automática, não pode ser vista como
uma simples transmissão do professor que ensina para um aluno que aprende.
Tendo como base os conceitos de Jean Piaget a respeito da aprendizagem, os
processos mentais que antecedem o tão esperado resultado da mesma, revelam a
dificuldade existente nos educandos de obterem e aprenderem novos conceitos e
conteúdos.
O processo da aprendizagem tem
início através das abstrações empíricas feitas pelo aluno e pela reflexão a
respeito desta abstração. Depois de assimilar um novo conceito que lhe é
apresentado, o aluno depara-se com o novo, na tentativa de não entrar em
conflito dentro de si mesmo, procurando acomodar as informações a ele
transmitidas, fazendo a modificação mental entre os conhecimentos prévios e os
adquiridos. Entende-se que a aprendizagem então, é a assimilação ativa do
conhecimento e de operações mentais, para compreendê-los e aplicá-los de forma
consciente e autônoma.
Segundo Chalita (2001, p.12) “A
educação não pode ser vista como um depósito de informações. Há muitas maneiras
de transmitir o conhecimento, mas o ato de educar só pode ser feito com afeto,
esta ação só pode se concretiza com amor.” Percebe-se que há uma grande
diferença entre transmitir o conhecimento e educar. A diferença de educar seres
humanos que se encontram nas primeiras etapas da vida é uma tarefa para os
docentes que se preocupam na formação global do educando e não apenas na
formação parcial, obtida em sala de aula. As demonstrações de carinho, bem como
a afetividade nas palavras ditas pelo professor, resultarão no auxílio e
conforto para o aluno, quando este necessitar acomodar as informações
recebidas, sem que haja repulsão ou aversão ao conteúdo apresentado, ou até
mesmo ao próprio ato de aprender algo novo.
O processo de construção do
conhecimento, que considere tanto as experiências dos alunos como as dos
professores inseridos, se faz necessária uma abordagem dos conteúdos, e para
Anastasiou (2003) isso se dá através de um método dialético, a partir da
reflexão e discussão conjunta, uma nova concepção ou forma de ação. Situações
como processos de ensino que constituem mais um desafio para uma ação docente
inovadora e comprometida, precisam buscar uma prática social complexa, que seja
efetivada entre os sujeitos, professores e alunos, buscando o engloba mento
tanto da ação de ensinar como de aprender.
Rodrigues (1997, p.64) afirma:
Assim, a escola tem por função
preparar e elevar o indivíduo ao domínio de instrumentos culturais,
intelectuais, profissionais e políticos. Isso torna sua responsabilidade pesada
e importante. Assim dimensionada a tarefa da escola, evidencia-se a expectativa
que sobre ela recai no contexto da sociedade.
A esse respeito Werneck (1996,
p.61) elucida que:
Educar é difícil, trabalhoso,
exige dedicação, sobretudo aos que mais necessitam. Transferir problemas é
fugir da verdadeira educação, é uma espécie de médico que transfere o doente de
hospital, lava as suas mãos e não se sente comprometido com o caso quando da
morte do paciente, porque aconteceu em outro hospital e em outras mãos.
Educar é proporcionar ao aluno
conhecer a si próprio, leva-lo à consciência de poder ser mais, reconhecendo
que é chamado a encontrar-se no mundo com o outro e não mais solitário em seu
“mundo”. Portanto, o professor como mediador para ensinar o aluno a ser
reflexivo precisa estar atento a todos os elementos necessários para que o
aluno aprenda e se desenvolva integralmente.
A sala de aula é um espaço de
“luta” extremamente importante, desde que se compreenda e acolha o educando,
independente do quão diferente ele seja. A educação situa-se como possibilidade
de ser um instrumento de mudança social e de transformação da realidade.
Educar é possibilitar a
conscientização e humanização, mediatizando aos alunos as condições para que se
desenvolvam em todas as suas potencialidades. Assim o educando aparece como
primeiro agente do processo educativo, em cooperação com os demais, sendo
ativo, participante, reflexivo e crítico.
Portanto Zabala (1998, p. 34)
aponta que:
O fato de que não exista uma
única corrente psicológica, nem consenso entre as diversas correntes
existentes, não pode nos fazer perder de vista que há uma série de princípios
nos quais as diferentes correntes estão de acordo: as aprendizagens dependem
das características singulares de cada um dos aprendizes, correspondem, em
grande parte, às experiências que cada um viveu desde o nascimento; a forma
como se aprende e o ritmo da aprendizagem variam segundo as capacidades,
motivações e interesses de cada um dos meninos e meninas, enfim, a maneira e a
forma como se produzem as aprendizagens são o resultados de processos que
sempre são singulares e pessoais.
3.
Relação Professor-Aluno
no processo ensino-aprendizagem
É importante considerar a
relação entre professor/aluno junto ao clima estabelecido pelo professor, da
relação empática com seus alunos, de sua capacidade de ouvir, refletir,
discutir o nível de compreensão dos mesmos e da criação das pontes entre o seu
conhecimento e o deles. Sendo assim, a participação dos alunos nas aulas é de
suma importância, pois estará expressando seus conhecimentos, preocupações,
interesses, desejos e vivências de movimento podendo assim, participar de forma
ativa e crítica na construção e reconstrução de sua cultura de movimento e do
grupo em que vive. (GÓMEZ, 2000).
Abreu & Masseto (1990,
p.115), afirmam que:
É o modo de agir do professor em
sala de aula, mais do que suas características de personalidade que colabora
para uma adequada aprendizagem dos alunos; fundamenta-se numa determinada
concepção do papel do professor, que por sua vez reflete valores e padrões da
sociedade.
Nesse contexto, entende-se que a
qualidade de atuação da escola não pode exclusivamente depender somente da
vontade de um ou outro professor. É necessária a participação efetiva e
conjunta da escola, junto da família, do aluno e profissionais ligados à
educação, de forma que o professor também entenda que o aluno não é um sujeito
somente receptor dos conhecimentos “depositados”.
De acordo com Pérez Gomes (2000)
a função do professor é ser o facilitador, buscando a compreensão comum no
processo de construção do conhecimento compartilhado, que se dá somente pela
interação. A aula deve se transformar e provocar a reflexão sobre as próprias
ações, suas conseqüências para o conhecimento e para a ação educativa. Nesse
mesmo raciocínio é que Rey (1995) defende a idéia de que a relação
professor-aluno é afetada pelas idéias que um tem do outro e até mesmo as
representações mútuas entre os mesmos. A interação professor-aluno não pode ser
reduzida ao processo cognitivo de construção de conhecimento, pois se envolve
também nas dimensões afetivas e motivacionais.
Freire (1996, p. 96) aponta que:
O bom professor é o que
consegue, enquanto fala trazer o aluno até a intimidade do movimento do seu
pensamento. Sua aula é assim um desafio e não uma cantiga
de ninar. Seus alunos cansam, não dormem. Cansam porque acompanham as idas e
vindas de seu pensamento, surpreendem suas pausas, suas dúvidas, suas
incertezas.
Logo, o professor deixará de ser
o “dono do saber” e passará a ser um orientador, alguém que acompanha e
participa do processo de construção e das novas aprendizagens do aluno em seu
processo de formação. Sendo assim, pode-se dizer que os métodos de ensino são
as ações do professor pelas quais se organizam atividades de ensino e dos
alunos para atingir objetivos do trabalho docente em relação a um conteúdo
especifico. Eles regulam as formas de interação entre ensino e aprendizagem,
ente o professor e os alunos, cujo resultado é a assimilação consciente dos
conhecimentos e o desenvolvimento das capacidades cognoscitivas e operativas
dos alunos.
Pode-se dizer então, que
os métodos de ensino são as ações do professor pelas quais se organizam
atividades de ensino e dos alunos para atingir objetivos do trabalho docente em
relação a um conteúdo especifico. Esses métodos fazem à mediação nas formas de
interação entre ensino e aprendizagem, entre o professor e os alunos, tendo
como resultado a assimilação consciente dos conhecimentos e o desenvolvimento
das capacidades cognitivas e operacionais dos alunos.
Ressaltando Freire (1980, p.23),
“o diálogo é um encontro no qual a reflexão e a ação, inseparáveis daqueles que
dialogam, orienta-se para o mundo que é preciso transformar e humanizar”. A
ação pedagógica do professor em sala de aula é imprescindível, desde que o
mesmo assuma seu papel como mediador e não como condutor. Grossi (1994, p.02)
entende que a relação professor-aluno deve pautar-se como “uma busca do aqui e
agora e que nós não precisamos nos comparar com outras gerações, mas, sobretudo
temos que ser fiéis aos nossos sonhos”.
Loyola (2004) refere-se ao “professor
autoritário”, o qual não deve impor o respeito, mas conquistar de seus alunos.
O professor autoritário busca com suas atitudes fazer com que os alunos venham
se calar, reprimindo suas expressões e até mesmo sentir medo. Assim, essa
relação professor-aluno não tem uma ação dialógica de construção e reconstrução
de idéias. Seguindo essa linha de pensamento, Freire (1996, p. 73) refere-se ao
professor autoritário como:
"O professor autoritário, o
professor licencioso, o professor competente, sério, o professor incompetente,
irresponsável, o professor amoroso da vida e das gentes, o professor mal-amado,
sempre com raiva do mundo e das pessoas, frio, burocrático, racionalista,
nenhum deles passa pelos alunos sem deixar sua marca." (FREIRE, 1996, p.73)
A relação estabelecida entre
professores e alunos constitui o ápice do processo pedagógico. Não há como
segregar a realidade escolar da realidade de mundo vivenciada pelos discentes,
e sendo essa relação uma “via de mão dupla”, tanto professor como aluno pode
ensinar e aprender através de suas experiências. Para tanto, Gadotti (1999,
p.2) refere-se a essa relação como:
"Para por em prática o
diálogo, o educador não pode colocar-se na posição ingênua de quem se pretende
detentor de todo o saber; deve, antes, colocar-se na posição humilde de quem
sabe que não sabe tudo, reconhecendo que o analfabeto não é um homem
"perdido", fora da realidade, mas alguém que tem toda a experiência
de vida e por isso também é portador de um saber".
Cabe ao professor aprender que
para exercer sua real função necessita-se combinar autoridade, respeito e
afetividade; isto é, ainda que o docente necessite atender um aluno em
particular, a ação estará direcionada para a atividade de todos os alunos em
torno dos mesmos objetivos e do conteúdo da aula. Ressalta-se a atuação de
alguns professores não como modelo inquestionável de docência, mas como fonte
de inspiração para buscar um novo e melhor caminho para alcançar os alunos.
Para isso faz-se necessário o diálogo, conforme Libâneo (1994, p.250) diz:
“O professor não apenas
transmite uma informação ou faz perguntas, mas também ouve os alunos. Deve
dar-lhes atenção e cuidar para que aprendam a expressar-se, a expor opiniões e
dar respostas. O trabalho docente nunca é unidirecional. As respostas e as
opiniões dos alunos mostram como eles estão reagindo à atuação do professor
(...)”.
4.
Considerações finais
Se o interesse dos profissionais
da educação for de fato com o foco nas reais necessidades, como expectativas da
educação na formação de indivíduos críticos-reflexivos, são necessárias haver
mudanças não apenas nas palavras, mas nas atitudes. É preciso estar
comprometido com o aluno, a escola, a sociedade e professores com uma educação
de qualidade, vendo o aluno como indivíduo ativo do processo
ensino-aprendizagem. Só assim os docentes estarão cumprindo o papel de
orientador realizando mais que o simples papéis de ensinar.
Faz-se necessário ao longo da
trajetória formativa, seja ela recém-formada ou com anos de formação, refletir
sobre o quanto os professores são capazes de reconstruir os próprios caminhos.
Isso lhes dará experiências enquanto alunos que foram, e eternamente serão, e
quanto a professores atuantes no espaço escolar hoje e amanhã.
O professor em muitos casos é
visto como força estimuladora para despertar nos alunos uma disposição
motivadora para determinado assunto. Essa relação de “ídolo” do aluno para com
o professor estimula sentimentos, instiga a curiosidade, relata de forma
sugestiva um acontecimento, faz uma leitura expressiva de um texto, e assim
sucessivamente, ocorre o crescimento desta cumplicidade entre professores e
alunos.
Os docentes devem levar em
consideração, enquanto profissionais da educação ou acadêmicos que almejam
iniciar a carreira docente, que não são melhores que ninguém, mas que devem
sempre aprender seja com outros professores ou até mesmo com os alunos, pois
até o mais analfabeto pode ensinar de uma maneira diferente: com o exemplo da
própria vida. E nesse sentido que a produção conjunta do conhecimento é uma
forma de interação ativa entre o professor e os alunos, pois abre horizontes
para novos conhecimentos, habilidades, atitudes e convicções, bem como a
fixação e consolidação de conhecimentos e convicções adquiridas anteriormente.
Assim sendo, entende-se que a
proposta de ensino de qualidade, que se volta para a formação cultural e
científica do aluno que o possibilite em sua ampliação da participação efetiva
nas várias instâncias de decisão da sociedade, defronta-se com problemas de
fora e dentro da escola. Sendo a escola pública gratuita, com direito essencial
para se constituírem como indivíduo-cidadão, faz-se necessário pensar sobre uma
“nova didática” voltada para os interesses populares de transformação da sociedade.
Faz-se cada vez mais evidente
pensarmos sobre as necessidades de se construir uma prática educativa
inovadora, pautada na construção e reflexão do conhecimento compartilhado, que
possibilite agir, transformar e refletir na prática educativa dos docentes. É
preciso pouco a pouco através dos desafios do contexto em que se vive olhar e
perceber os obstáculos como possibilidades de construção do novo.
Para que essas mudanças
aconteçam e escola consiga exercer seu papel, é necessário que todos caminhem
juntos, tendo a perspectiva praticada nas escolas de nossa sociedade, educando
para um mundo mais igual e cumprindo assim o seu papel mais importante na
educação: formar seres que possam pensar a respeito de tudo o que fazem.
Referências bibliográficas
·
ALARCÃO, I. (Org.) Escola
reflexiva e nova racionalidade. Porto
Alegre: Artmed, 2001.
·
ASSMANN, Hugo. Reencantar
a educação: rumo à sociedade aprendente. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007
·
BOLZAN, D. Formação
de professores: compartilhando e reconstruindo conhecimentos. Porto
Alegre: Mediação, 2002.
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